Apenas o grito a assistir à sua extinção.

Friday, May 13, 2016

Autoconhecimento é liberdade

Temos que ser interiormente livres para sermos uma luz para nós próprios.
Luz, que não pode ser dada por ninguém, nem a ninguém.
Estamos condicionados para aceitar a autoridade - autoridade de um sacerdote, de um livro, de um guru, a autoridade que diz que sabe. Em todas as questões "espirituais", não deve existir autoridade, de outro modo não podemos estar livres para descobrir por nós mesmos, o que a meditação "significa".

Para meditar, precisamos de estar interiormente livres de toda a autoridade, de toda a comparação - inclusive a autoridade desta voz, que vos fala, pois seguir o que outro diz, não é investigar. Livrar de qualquer autoridade, seja de outro ou da ideia da nossa própria existência (com nossos conhecimentos acumulados, das nossas conclusões, dos nossos preconceitos).

As nossas próprias experiencias, a nossa compreensão pessoal das coisas, também se tornam a nossa própria autoridade ... Temos que ser conscientes de todas as formas de autoridade. De outra forma não podemos ser a luz para nós próprios.
E quando somos uma luz para nós próprios, somos uma luz para o mundo, porque o mundo somos nós e nós somos o mundo.

Desta forma, não existe ninguém para nos guiar, incentivar ou nos dizer que estamos a "progredir". Para meditar temos que nos limpar de influencias.
Esta luz pode apenas surgir quando investigarmos em nós aquilo que somos. Isso é estarmos atentos a nós mesmos, para sabermos o que somos.

Não se trata portanto de uma descrição dada por outro, nem do que pensamos que somos, nem o que pensamos que deveríamos ser - mas do que realmente é, do que de facto se está a passar em nós.

Tem de haver liberdade para observar, e é nessa observação que toda a estrutura do que somos, nossa natureza, começa a revelar-se.

Muitas poucas pessoas, vos dirão tudo isto, pois muitas outras têm seus interesses próprios, querem formar grupos, organizações, etc.

Para haver a compreensão de si mesmo, tem de haver observação, e essa observação só pode acontecer agora.

E isto não significa ser o passado a observar o agora - observar o agora a partir das minhas conclusões passadas, dos meus preconceitos, esperanças e medos...

Tem que ser observação do presente, no próprio acto de o realizar.

Quando estamos irritados, quando sentimos emoções - temos que observar tal como é. o que significa não o condenar, não o julgar, observa-lo e deixa-lo florescer e murchar, desaparecer.

Quando o fizermos, não ficamos mais irritados. Essa observação (sem passado como base/principio/centro) produz uma mudança. E ao fazermos isso não há autoridade. Então não pedimos a alguém que nos diga como proceder. No próprio observar há a acção, há a mudança. Experimentem!

Liberdade para observar, implica ausência de autoridade. Então, a busca de experiencias que geralmente queremos ter, terminará. Porquê?

Todos os dias temos vários tipos de experiencias, que vamos registando. E esse registo torna-se memória, distorce a observação.

ex:
Se somos cristãos, temos um condicionamento de 2mil anos, relativamente às nossas crenças, dogmas, rituais, à existência de um Salvador, e queremos ter "experiencias" relacionadas com isso.
Teremos essas "experiências", obviamente porque é esse o nosso condicionamento.
Na Índia, têm centenas de deuses e estão condicionados em relação a isso, e assim têm visões desses deuses, porque vêm de acordo com o seu condicionamento.

Quando estamos fartos das "experiencias" físicas, queremos outra espécie de "experiências" - a experiência espiritual, para descobrirmos se há deus, para termos visões, etc... Teremos experiências de acordo com nosso condicionamento particular, evidentemente. Porque nossa mente está condicionada dessa maneira. Precisamos de ter consciência disso e de ver o que está implicado nas "experiências".

O que está implicado nessas experiências?

Tem de haver um experienciador para experienciar.

O experienciador é tudo aquilo que ele deseja experienciar. Tudo aquilo que lhe foi transmitido, todo o seu condicionamento. E deseja experienciar algo a que chama "Deus" ou "Nirvana", ou seja o que for. Ele experienciará isso.

Mas experiencia implica re-conhecimento, e re-conhecimento implica que já se conhece. Não é novo. A mente que procura experiência está realmente a viver no passado, e não é capaz de compreender algo totalmente novo, original. É necessário nos libertarmos do desejo de experiencias "espirituais".

Observar de um estado de não saber/ser, investiga-se e encontra-se realmente a verdade, a certeza.
A partir desse observar - vazio, nasce a fluidez natural. A vida tem um sentido totalmente diferente. Nunca é superfícial e tudo  o que importa está aí.
 

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